User Stories – A escrita utilizando a técnica de 7 dimensões do produto

Escrever uma história de usuário pode ser uma excelente maneira de organizar o processo de desenvolvimento de um software, deixando mais claro quais são as demandas a serem resolvidas pela equipe.

Neste artigo, vamos abordar uma técnica de escrita utilizando 7 dimensões do produto: Atores/Personas, Interface, Ações/Verbos, Dados/Informações, Regras de Negócio, Ambiente e Qualidade. Como exemplo, vamos considerar o seguinte “problema”: Um jornal quer disponibilizar edições digitais aos leitores e também permitir que novas assinaturas sejam feitas via aplicativo.

O que são, afinal, as 7 dimensões do produto, e como elas poderiam ser usadas para organizar uma história baseada no problema listado? Vamos conferir.

Atores ou Personas

São todos os usuários que interagem com o produto. Dependendo do caso, pode não se tratar necessariamente de um ser humano – pode ser um sistema que interaja com a aplicação, por exemplo. Na hora de descrever os atores, é bom evitar conceitos amplos demais, como “usuários do sistema”, pois isso pouco ajuda a delinear a história. Ao invés disso, defina seus atores de maneira mais detalhada, se possível com base em pesquisas de mercado.

No caso da história que é usada como exemplo, os atores seriam “leitores de jornal digital para tablet”.

Interface

É o mecanismo por meio do qual os usuários (ou mesmo outros sistemas) trocam dados com o produto. Isso inclui telas, fluxos ou aplicações. Naturalmente, um produto pode ter diversas interfaces, conforme as funções disponíveis.

No exemplo, teríamos a interface com uma biblioteca atualizada com as edições digitais do jornal, e também uma interface própria para comprar uma assinatura digital.

Ações ou Verbos

Basicamente, seria o que o usuário deseja fazer ao interagir com o sistema. Para defini-las, é importante ter um bom conhecimento a respeito dos atores/personas, o que possibilita focar em funcionalidades realmente relevantes e condizentes com os objetivos deles. E, da mesma forma que as interfaces, é natural que haja diversas ações possíveis em uma história.

No exemplo, entre as ações principais teríamos “comprar uma edição digital do jornal” e “comprar uma assinatura das edições digitais do jornal”.

Dados ou Informações

São praticamente quaisquer inputs, arquivos, dados da base etc. fundamentais para o funcionamento da aplicação. O termo “fundamentais” merece ênfase, pois é preciso manter a história o mais simples possível, focando no que é essencial para entender o problema.

No exemplo, entre os dados teríamos o próprio jornal digital (em PDF ou HTML) e dados de pagamento do usuário (informações de cartão de crédito).

Regras de Negócio

São premissas ou restrições necessárias, que dão suporte às necessidades do negócio. Elas se baseiam em grande parte nos critérios de sucesso e viabilidade comercial de quem solicitou o desenvolvimento da aplicação.

No exemplo, duas possíveis regras de negócio seriam “edições avulsas só podem ser compradas via cartão de crédito” e “assinantes só terão acesso a edições posteriores à data de assinatura”.

Ambiente

É a propriedade física ou tecnológica do produto, incluindo todas as plataformas ou sistemas que serão usados para suportar a aplicação.

No exemplo, poderíamos citar os sistemas operacionais Android e iOS ou uma plataforma web com suporte para Flash.

Qualidade

Finalmente, a sétima dimensão do produto nessa técnica é o conjunto de requisitos que devem ser cumpridos em uma aplicação para atender às necessidades do usuário. De certa maneira, a Qualidade se assemelha às Regras de Negócio, mas focando no usuário ao invés do contratante.

No exemplo, poderíamos citar a possibilidade de fazer a leitura off-line do jornal digital, ou o recurso de favoritar matérias e edições.

As sete dimensões podem ser divididas em duas categorias: Requisitos Funcionais (Atores, Ações, Dados e Regras de Negócio) e Requisitos Não Funcionais (Interfaces, Ambiente e Qualidade), com impactos distintos no processo de desenvolvimento.

Embora nem toda história precise necessariamente ter todas as sete dimensões devidamente listadas, identificá-las ajuda a elevar a qualidade da história.

Outras recomendações

A técnica das 7 dimensões do produto é uma boa maneira de organizar os elementos que compõem uma história de usuário. Algumas recomendações extras podem ajudar na aplicação da técnica:

  • Crie as histórias de maneira colaborativa, aproveitando as visões do product owner e do dev team;
  • Comece com um épico (uma grande e pouco detalhada história, que normalmente é dividida em histórias menores);
  • Refine suas histórias até que fiquem claras, atingíveis e testadas
  • Não se esqueça de usar outros recursos além das histórias (como fluxogramas, mapas de história, diagramas, storyboards, sketches e mockups)

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